Teu corpo dúbio, irresoluto
de intersexual disputadíssima,
teu corpo, magro não, enxuto,
lavado, esfregado, batido,
destilado, asséptico, insípido
e perfeitamente inodoro
é o flagelo de minha vida.
Ó esquizóide! Ó leptossômica!
Por ele sofro há bem dez anos
(anos que mais parecem séculos)
tamanhas atribulações,
que às vezes viro lobisomem,
e estraçalhado de desejos
divago como os cães danados
a horas mortas, por becos sórdidos!
Põe paradeiro a este tormento!
Liberta-me do atroz recalque!
Vem ao meu quarto desolado
por estas sombras de convento,
e propicia aos meus sentidos
atônitos, horrorizados
a folha-morta, o parafuso,
o trauma, o estupor, o decúbito!
aaaaaaaaaaaaaaManuel Bandeira
aaaaaaaaaaaaaaEstrela da Vida Inteira
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